Após encarar o desafio da liberdade, uma andarilha morre
congelada numa vala. E tem sua história
por aqueles com quem cruzou o caminho.
Ano de
Lançamento: 1985
Direção:
Agnès Varda
País de
Produção: França
Idioma: Francês,
Inglês, Árabe
Duração:
105 minutos
Formato:
AVI
Tamanho
do Arquivo: 696 MB
Parte 1
Parte 2

7 comentários:
Nesse filme, gosto muito de como a diretora apresenta a figura feminina em sua trama. A representação da mulher que adota comportamentos que comumente não são para ela. Há diversos momentos em que isso é mostrado claramente nos diálogos,.. E além das várias outras discussões em seu roteiro com grandes figuras de linguagem...
Não conheço quase nada da Agnes Varda, sei que ela sempre se dedicou com alma aos documentários, mas esse, que aparentemente é um corpo estranho na obra dela, eu vi e revi e assim como a Shoshanna, posso recomendar. O filme é difícil, sim, a sinopse curta e seca, já deixa claro. Mas existem muitas nuanças na personagem da grande Sandrine Bonnaire que vão se apresentando mesmo após o filme ter terminado. Nem temos uma história, propriamente dita, mas um corpo. Diria que o filme todo é uma metáfora sobre o tal batido tema do "preço da liberdade", mas não é bem isso (ou vai muito além disso), vai pelos cantos escuros da alma humana, cantos escuros estes que se traduzem no gestual, no olhar. Não espere a simpatia em pessoa em Bonnaire, porque não vai se encontrar. Além disso, o filme é meio escuro, em tons cinza, uma fotografia (creio que intencional) feiosa.
Não sei se está ainda disponível aqui no Sonata uma co-produção Irlanda-Holanda, chamada "Nada Pessoal", que tb tem um miolo, mas não propriamente um começo e um fim, apenas uma andarilha da qual nada sabemos. É um contraponto interessante a este filme, já que no irlandês há uma certa "redenção" (bem pequena, é verdade) que não vamos encontrar no filme de Varda. Um filme triste, mas sem arroubos emocionais, e em que a história incerta desta mulher parece um nada que desenvolve lentamente. Poucos diálogos e uma das grandes atuações da carreira de Sandrine Bonnaire (completamente irreconhecível), sustentada em seu olhar duro e seu andar meio arqueado, que carrega um peso em seu corpo. Para se assistir sozinho.
http://sonatapremieres.blogspot.com/2012/05/nada-pessoal_1812.html
Ji, também não acho que "desafio da liberdade" seja a questão. As discussões que ele suscita vão alem disso, é necessário se atentar ao real significado de liberdade e como a personagem o encara. Aqui, parece que ela pode escolher o que a afeta, mas ninguém tem esse poder. No entanto, ela age diante do que a afeta, também afetando os outros. O roteiro faz isso tudo se tornar fluido com as encenações e cenários muito bem definidos, e propositalmente meio "escuro e feioso"...
Coloquei daquela forma na sinopse, porque não gosto de contar o filme todo. Também fica mais simples e legal de ler. Acho ruim quando nem vi o filme e já sei início meio e fim, nem dá vontade de ver mais rs
Ainda não vi "Nada pessoal", mas seu jeito de descrever meu deu vontade de assisti-lo "sozinha"...
De fato, onde lê-se "liberdade", o mais correto seria "inquietação", não é mesmo? "Sem Teto" possui um certo questionamento existencial, "Nada Pessoal", apesar de mais "misterioso" em sua primeira metade, tem uma causa mais "objetiva" na busca (ou fuga) da personagem principal, ainda que isto jamais seja dito ao longo do filme. Ainda sobre andarilhas, há um terceiro título, sensacional, e altamente recomendável, chamado "Wendy e Lucy", da diretora Kelly Reichert (creio que o Yagami o assistiu). O pressuposto é completamente outro, sendo uma forte crítica sócio-econômica da sociedade americana (o filme é fruto direto da crise mundial de 2008).
A curiosidade é que os três filmes foram dirigidos por mulheres, se passam em zonas rurais, durante outono/inverno e tem ação mínima, privilegiando o olhar intenso e a atuação de poucas palavras de suas atrizes, numa clara opção das diretoras de investigar o mundo interior destas mulheres.
Tenho este filme no meu computador, mas ele já tem legendas em português embutidas, a quem se interessar.
Mais Agnes Varda no Sonata:
http://sonatapremieres.blogspot.com/search/label/Especial%20Director%27s%20Sunday
Uma síntese para Sem Teto Nem Lei : "Uma jovem andarilha morre de frio: mais uma banalidade de inverno? Teria sido morte natural? Seria um caso policial ou social? O que poderíamos saber dela e como reagiriam aqueles que cruzaram seu caminho? Em sua errância as portas se fecham para ela. Ela vaga, arma sua tenda, dorme com um, não dorme com outro... Retoma a estrada, pára, parte novamente: breves encontros, desesperança, vinho, solidão, frio.... vem a noite e a manhã é gélida".
Agnès Varda falou sobre o filme: "Mona é uma mulher sozinha e toda mulher só é uma presa fácil. Ela é uma presa, mas não vítima. Ela é rebelde. [...] Mona é bela, pois ela não é uma vítima. Bela, pois orgulhosa. Ela tem o orgulho dos tuaregues, o porte altivo dos nômades. [...] Mona não é santa, pois ela trepa, sem que isso a afete".
Ainda Varda: "Não trabalho a psicologia, nem o antes e o depois". Ela e Sandrine falam de "coisas práticas, realistas, funcionais, gestuais".
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